“Sinal amarelo já para o IC 19 à passagem do Cacém e novo abrandamento no Pina Manique. Calçada de Carriche com grande resistência devido ao mau tempo...”
Estendo o braço e, com uma palmada, desligo o despertador. Só mais cinco minutos, penso e puxo para cima, mais para junto de mim, o edredão sonolento que me envolve. Viro-me de lado e dobro as pernas até ao peito embrulhando-me no meu casúlo. E de repente lembro-me. De ti. Do que aconteceu.
As lágrimas começam a escorrer pela minha cara abaixo com a velocidade de uma chuva quente. Sinto-me gelada. Puxo com mais força o edredão. E enrolo-me ainda mais sobre mim própria como se assim conseguisse sufocar a dor. Choro até deixar de ter força para continuar, assoando-me, em intervalos regulares, aos lençóis que comprei contigo, naquela feira perto de casa da tua avó, lembras-te? Gosto tanto deles, cheiram sempre a verão e a algodão doce. E recordam-me as nossas gargalhadas enquanto os licitávamos e a senhora, entusiasmada, do alto da sua carrinha branca e de microfone em punho, gritava: - Ora venham lá ver fregueses, o lençol dos duendes a dez éros e a subir! E continuava, informando uma freguesa de ouvido menos apurado: Não minha querida, dos duendes e não doentes.
Acabei por ser eu a ficar com eles depois de uma acérrima disputa com uma avó que os queria para a neta, lembras-te? Não sei como é que nos deu para aí, não são duendes, são simples anões e não vi, até hoje, coisa mais feia. Mas adoro-os. Sinto-me a Branca de Neve cada vez que me deito. Com os meus anões em pleno Verão e disposta a sonhar que moro num palácio de algodão doce.
Mas ontem, quando me deitei, não vi nos anões os meus simpáticos companheiros. Vi neles, em cada um deles, um detalhe de ti. Não me senti no Verão mas no mais gelado dos gelados glaciares.
“São oito horas e vinte e nove minutos. Já de seguida a actualização as notícias com...”
O despertador recorda-me novamente que é hora de me levantar. Estico as pernas como que a afastar a dor de mim. Afasto o edredão que me separa da fria manhã e levanto-me carregando aos meus ombros o peso dos oceanos de lágrimas que já derramei.
Arrasto-me até à casa de banho com a lentidão de quem tem medo de enfrentar a vida. Abro a torneira do chuveiro e começo a despir o pijama observando-me ao espelho.
Tenho a cara inchada e umas olheiras profundas. Emagreci nos últimos dias e não sinto a menor alegria nisso. O meu peito descaiu com o peso da injustiça. Coloco as mãos em posição wonderbra e lembro-me do truque do lápis que leste numa qualquer revista e me ensinaste. Se agora colocasse o lápis debaixo de um peito meu não só não caía como ficava esmagado tamanho é o peso que o meu peito agora contém.
A minha pele está baça reflectindo o meu espírito. O espelho está a ficar agora embaciado e oiço a tua voz “A água não é para ser gasta assim. Sabes que só uma minoria da população mundial tem acesso a água potável? Respeita-a.”
Entro para dentro da banheira e sinto o jacto quente do chuveiro nas costas. Inclino a cabeça e deixo as gotas de água escorrerem livremente pela minha cara, juntando-se às lágrimas que novamente deixo cair. É tão injusto, digo baixinho. E repito a meia voz, Tão injusto. E revolto-me e grito, o mais alto que consigo, É tão injusto, tão injusto, até perder a voz e a força nas pernas, até escorregar e ficar sentada e enrolada sobre mim, com a água que não chega a todos a jorrar-me com rispidez por cima, limpando as lágrimas, o sal, a esperança como se fosse um esfregão bravo...
Tell me if there's something bothering you; Tell me what should I say; You know I'd do most anything; You know I'd change the world…
- Amor, baixa a música, por favor – pediu Tiago, sentado no banco traseiro, a Susana que conduzia – estou com dor de cabeça.
Susana desligou o rádio.
- Não era preciso desligar.
- Mas ninguém estava a ouvir! – replicou Susana e olhando para a amiga, sentada a seu lado, continuou: - A Marta está de neura e o João já dorme.
- Não estou nada de neura! – refilou Marta, franzindo o sobrolho – estou com dores do período. E não sei se sabem, são horríveis!
Tiago riu-se: - Eu não sei de certeza!
Marta encolheu os ombros ignorando o comentário e suspirou.
- Está a ser muito divertida esta nossa viagem com dois doentes, um dorminhoco e aqui a estúpida a servir de motorista. Nem parece que vamos para o Algarve comemorar o ano novo. – comentou Susana.
João acordou: - Suse, podes parar na próxima estação de serviço para ir à casa de banho?
Susana acenou com a cabeça em sinal de concordância.
- Iá, assim bebo um café para acabar com esta maquiavélica dor de cabeça – concordou também Tiago de um modo teatral.
- E eu passo o volante ao próximo porque estou a sentir-me cansada. Vou parar já nesta.
Tiro do armário as calças pretas que, como me dizias, me fazem um cú bom e, da cómoda, escolho uma camisola de gola alta branca.
Visto-me apressadamente contrariando o tremor que se apoderou de mim, de frio, de raiva, de dor.
De seguida, calço as botas pretas, as de salto alto, para me obrigar a manter a postura, para me apresentar erecta, forte, controlada.
Vou buscar os teus pais e a tua avó. O teu irmão pediu-me. E os meus pais também vão, os dois e juntos. Só tu é que consegues esta proeza.
Estou novamente à frente do espelho ainda embaciado. Penteio-me sem pensar no que faço ao som do barulho irritante do secador enquanto o viro para o espelho, lançando-lhe bocadinhos de Verão à espera de, com isso, obter uma imagem mais nítida. Reparo que não está a resultar, a água que se vaporiza do espelho toma novamente forma nos meus olhos impedindo assim a nitidez da minha imagem. Talvez fosse mais eficaz virar para mim, para os meus olhos, a arma.
A ironia nem assim me abandona. Desconcertante, chamar-me-ias tu, sorrindo complacente. Que saudades do teu sorriso...
Recordo, com desespero, os teus últimos momentos de lucidez. O teu olhar a abrir –se, desfocando. O rubor constante da tua face a ser sugado, a palidez que se agarrou a ti como lapa em rocha vicentina para não mais te largar. E o sorriso ténue, apagado, que nem assim deixaste para trás.
A tua mão, saindo do teu frágil braço, procurando apoio em mim como se, conseguindo-me tocar, estivesses a salvo. E eu que não a vi logo. Reparava, aterrorizada, nas transformações que se operavam em ti, impotente, inútil para as contrariar. Queixaste-te de cansaço, num só folêgo, e eu nunca vira ninguém mais cansado. Por momentos acreditei que só querias dormir um pouco, que após um breve fechar de olhos voltasses de sorriso incandescente e de energia renovada. E eu que não vi a tua mão em busca de mim naquele breve momento de tão longa confusão. E não te amparei quando mais precisaste, deixando o teu corpo cair naquele chão escuro e sujo com um som seco que iniciou o descompassar do meu coração e que perdura até hoje, até sempre. E não me mexi, fiquei rija olhando as tuas madeixas de caracóis mexerem ainda, no chão, como se esperando que o movimento destas contrariasse a inércia em que caíras.
O mundo parou, ficou mudo. Só os teus caracóis se moviam ao som da corrente de ar com uma força de aceleração nada típica de caracóis, freneticamente, centrifugamente. E eu, surda, olhava-os fixamente. Comecei a andar à roda. Como se estivessemos num qualquer brinquedo de feira. Cheirei o doce de ti, do algodão rosa que nos uniu para sempre. Os meus joelhos dobraram-se em direcção ao chão que te segurava. E de repente ouvi a voz forte do teu irmão a pedir uma ambulância com uma autoridade que não lhe conhecia. E acordo, com um salto. Não era hora de te fazer companhia. Chamei-te enquanto te dava uma chapadinha sem nexo. Não me respondeste. Aproximei a face dos teus lábios, do teu nariz, esperando ouvir o som da vida e, na sua ausência, fui repetindo o teu nome incessantemente como se isso cortasse o teu caminho em direcção ao céu.
Dei-te a mão para não teres medo e ouvi, ao longe, o teu irmão ordenando aos curiosos que te rodeavam para se afastarem, para ninguém te tocar, para te darem espaço. Estava barulho, muito barulho e calor, um calor imenso.
E de repente foi ecoando em mim um som crescente, amigo, a sirene da ambulância que, pensei, te iria trazer de novo até mim.
- Susana, tens um penso? Só tenho comigo tampões mini. Pensava que estava no fim – pediu Marta.
Susana procurou, demoradamente, na sua mala sendo interrompida pelo impaciente Tiago: - Vá lá, despachem-se, quero sair do carro.
- Não tenho aqui, só na mochila, no porta-bagagens.
- Isso também eu. Vão andando, já lá vou ter.
Sairam do carro em direcção à estação de serviço enquanto Marta procurou o penso que pretendia. Tendo-o encontrado foi ao encontro dos amigos.
Encontravam-se já a beber café. Marta passou por eles, despreocupada, abanando o colorido penso e apontando para o WC.
Riram-se.
- Ela é tão despreconceituosa – comentou Susana rindo-se.
- Está demasiado barulho aqui dentro. Não me estou a sentir bem. Vou lá para fora. – comunicou Tiago.
- Mas o que é que tens, amor? – preocupou-se Susana.
- Só dor de cabeça, nada de especial. Daqui a pouco já passa – e inclinou-se para lhe dar um beijo.
- É sinal que tens cabeça! – brincou João – o que é uma verdadeira novidade para mim.
Tiago riu-se: - Estás muito engraçadinho para quem acabou de acordar. Só por isso levas tu o carro agora.
Levantou-se e saiu na altura em que Marta voltava.
- Onde é que ele vai?
- Lá para fora, está muito barulho para os seus ouvidos sensíveis! – brincou João.
- Não gozes – pediu Susana, sorrindo.
- Não pediram café para mim? – perguntou Marta.
- Não sabíamos o que querias – desculpou-se João.
- Não faz mal. Vou lá pedir.
- Também vou, preciso comer qualquer coisa – disse Susana.
- E eu vou à casa de banho.
Paro o carro junto ao portão ferrugento da tua vizinha que me informava sempre se estavas em casa ou não embora, que me lembre, nunca lhe tenha perguntado.
Não consigo sair do carro já. Hesito entre desligar o carro ou mantê-lo, por mais uns momentos, pronto para me levar daqui para fora. O barulho insistente das escovas do limpa pára-brisas a roçar num pedaço de resina preso ao vidro faz-me decidir.
Tiro a chave da ignição. E o painel do rádio, como me dizias para fazer sempre, que guardo cuidadosamente. Olho à volta à procura da tua vizinha que está sempre à janela. Hoje não está. Tudo mudou.
Ano novo, vida nova, é o que se diz.
Este ano começou já sem ti. Sucumbiste apesar das máquinas dos gráficos complicados e dos pis repetidos que te mantiveram, inutilmente, em contacto com a vida durante três dias..
Os vidros estão embaciados, posso chorar agora, ninguém me vê. E de repente alguém bate no vidro. Desço-o e vejo-te a ti nos verdes olhos do teu pai.
Saio do carro e abraço-o com força. Atrás dele vem a tua mãe, imensa, segura pelo teu irmão. A tua avó agarra no chapéu de chuva que os cobre com dificuldade. Parece ter encolhido um metro.
Corro para abrir a porta do pendura e, de seguida, tomo o lugar da tua avó. Esta passa por mim, dá-me uma festa na cara e entra para o banco traseiro. A tua mãe chora quando repara em mim. Abraço-a, carinhosamente, e digo aquelas banalidades que nunca pensei dizer: - Vá D. Celina, há que ser forte. A sra. ouviu o que os médicos disseram, não havia nada mais a ser feito.
O teu irmão, sem expressão, separa-a de mim e encaixa-a entre si e a tua avó. O teu pai entra, por fim, e fechando a porta, pergunto olhando pelo espelho retrovisor: - João, qual é o melhor caminho?
O teu irmão explica-me ao som da resina que bate nas escovas, do desalento da tua mãe, dos suspiros prolongados do teu pai, das palavras sábias da tua avó: - Filha, tens de ser forte, pelo amor de Deus.
A tua mãe grita, fora de si, que Deus, que Deus, Deus não existe, e as lágrimas furiosas escorrem-lhe cara abaixo como prova do que diz.
Concentro-me na estrada enquanto o teu irmão a tenta acalmar. E durante o resto da viagem ouve-se somente o choro angustiado de uma mãe, a tua mãe.
Paro o carro junto à Igreja. Está cá muita gente. Tanta gente, sombria, que gosta de ti. Saio. Saímos. E olho em volta, perdida.
Vejo a minha mãe que vem em meu auxílio. Oh mãe, como é bom ter uma mãe nestes momentos. Olho-a, destroçada, e choro. Abraço-me a ela como se fosse ainda a heroína da minha infância.
O meu pai, prático, tira-me as chaves do carro da mão e, esquivo, vai estacioná-lo melhor. As pernas tremem-me novamente e percebo que os saltos altos não foram boa ideia. Sinto-me má por chorar. Não posso chorar, não neste momento. Sou precisa como alicerce da tua família, para ajudar o teu irmão, coitado do teu irmão, a decidir as coisas.
Limpo as lágrimas com as costas das mãos com raiva de mim própria. Recomponho-me e ajudo a tua mãe a entrar na nave onde está depositado um corpo frio que outrora foi teu. Não o reconheço e evito olhar. Maricas, como sempre, chamem-me o que quiserem.
Sento-me junto da tua mãe enquanto o padre entra. A minha mãe junta-se a nós. E a mãe da tua mãe, a tua Cândida avó, surge ao nosso lado.
O teu pai, observo, está do outro lado, seguro pela viga que é o teu irmão. Tão diferentes vocês. Olho para os olhos de dor do teu bonito irmão e dá-me vontade de o abraçar para sempre.
O padre fala, fala, fala. Não o oiço. Olho à volta e vejo rostos magoados pela estranheza da morte súbita que te apanhou.
As flores dão o único colorido ao negro do compartimento. O cheiro enjoa-me. Preciso de apanhar ar mas não posso.
Hora de levantar. A tua mãe não consegue. Ajudo-a. Quer depositar, junto ao estranho corpo, a fita abençoada que te escreveu quando te formaste, antes de fecharem, para sempre, a porta do teu último quarto.
O cheiro das flores enevoa-me os olhos. O meu pai agarra em mim, com cuidado, e leva-me para o átrio. A chuva cai ainda. O frio seca-me as lágrimas e corta-me a pele. O meu pai fuma cigarro atrás de cigarro enquanto me segura.
A minha mãe aproxima-se. Pede ao meu pai para lá ir dentro fazer não sei o quê.
Vejo-o, momentos mais tarde, segurando a caixa que te transporta, juntamente com desconhecidos.
As flores são arrumadas por cima de ti, dentro do carro que te transportará pela última vez. Recordo-me que enjoas, enjoavas, nas curvas.
O meu pai coloca-me dentro do seu carro enquanto a minha mãe se dirige ao meu com a tua família.
Faço a viagem em silêncio, olhando o horizonte, sem pensar em nada. Saímos, com os guarda-chuvas em punho. Tantos guarda-chuvas ou afasta-chuvas como te divertias a dizer. Tantos, tão pretos, tão estranhos.
Descem, com a dificuldade das cordas molhadas, o caixão.
PUM!
O som da primeira pazada de terra sobre ti.
E de repente sinto, olho, oiço: - Nãooooo!
E um choro desesperado debaixo de um afasta-chuvas verde escuro. Vejo-o pela primeira vez. É o Tiago, o teu noivo, transfigurado pelo sofrimento, envelhecido pela dor.
E a tua mãe cai, num queixume convulsivo. O teu pai, sofrido, abraça-a. E o teu irmão, o teu maravilhoso irmão, corre o mais depressa que consegue daqui para fora.
Arranco atrás dele, com os saltos a curvar, com a chuva a molhar-me ferozmente. Quero abraçá-lo com força. Alcanço-o e agarro-me a ele com urgência. Peço-lhe para chorar e choramos em conjunto. Por ele, por mim, por ti, pelos teus pais, pela tua avó, pelo Tiago, pelo mundo que te perdeu...
Susana, posso agora contar-te o fim da história.
Enquanto o teu irmão foi à casa de banho perguntaste-me se havia futuro entre mim e ele. Disse-te que não, que não gostava dele o suficiente para tentar alguma coisa séria. E de repente, como que em forma de reacção, começaste a sentir-te mal.
O Tiago, com a sua mais traumática cefaleia, esperava por ti. Distraído com a sua dor, ignorava a tua e só percebeu o porquê da demora quando te encontrou junto à ambulância. Ia enlouquecendo.
Amiga, eu estava tão enganada. Gosto muito do teu irmão. Mesmo muito. É pena só agora o ver. É pena não nos poderes ver, os dois, juntos, como gostavas.
E agora, conto-te os meus desejos para este novo ano que ontem começou, como te contava todos os anos. Gastei um com o Tiago. Pedi para ele ser feliz, muito feliz. Todos os outros gastei-os contigo. A pedir-te de volta. E até engoli as doze passas como se doze uvas ressequidas alguma coisa pudessem contra a Morte.
Recebi, por email, e merece divulgação.
Durante um debate numa universidade, nos Estados Unidos, o ex-governador do DF e actual ministro da Educação CRISTOVAM BUARQUE do Brasil, foi questionado sobre o que pensava da internacionalização da Amazónia. O jovem americano introduziu a sua pergunta dizendo que esperava a resposta de um humanista e não de um brasileiro. Esta foi a resposta do Sr.Cristovam Buarque:
De fato, como brasileiro eu simplesmente falaria contra a internacionalização da Amazônia. Por mais que nossos governos não tenham o devido cuidado com esse patrimônio, ele é nosso. Como humanista, sentindo o risco da degradação ambiental que sofre a Amazônia, posso imaginar a sua internacionalização, como também de tudo o mais que tem importância para a humanidade.
Se a Amazônia, sob uma ética humanista, deve ser internacionalizada, internacionalizemos também as reservas de petróleo do mundo inteiro... O petróleo é tão importante para o bem-estar da humanidade quanto a Amazônia para o nosso futuro. Apesar disso, os donos das reservas sentem-se no direito
de aumentar ou diminuir a extracção de petróleo e subir ou não o seu preço. Da mesma forma, o capital financeiro dos países ricos deveria ser internacionalizado.
Se a Amazônia é uma reserva para todos os seres humanos, ela não pode ser queimada pela vontade de um dono, ou de um país. Queimar a Amazônia é tão grave quanto o desemprego provocado pelas decisões arbitrárias dos especuladores globais. Não podemos deixar que as reservas financeiras sirvam para queimar países inteiros na volúpia da especulação. Antes mesmo da Amazônia, eu gostaria de ver a internacionalização de todos os grandes museus do mundo. O Louvre não deve pertencer apenas à França. Cada museu do mundo é guardião das mais belas peças produzidas pelo gênio humano. Não se pode deixar que esse patrimônio cultural, como o patrimônio natural Amazônico, seja manipulado e destruído pelo gosto de um proprietário ou de um país. Não faz muito, um milionário japonês, decidiu enterrar com ele, um quadro de um grande mestre. Antes disso, aquele quadro deveria ter sido
internacionalizado. Durante este encontro, as Nações Unidas estão realizando o Fórum do Milênio, mas alguns presidentes de países tiveram dificuldades em comparecer por constrangimentos na fronteira dos EUA.
Por isso, eu acho que Nova York, como sede das Nações Unidas, deve ser
internacionalizada. Pelo menos Manhatan deveria pertencer a toda a humanidade. Assim como Paris,Veneza, Roma, Londres, Rio de Janeiro,
Brasília, Recife, cada cidade, com sua beleza específica, sua historia do mundo, deveria pertencer ao mundo inteiro. Se os EUA querem internacionalizar a Amazônia, pelo risco de deixá-la nas mãos de brasileiros, internacionalizemos todos os arsenais nucleares dos EUA. Até porque eles já demonstraram que são capazes de usar essas armas, provocando uma destruição milhares de vezes maior do que as lamentáveis queimadas feitas nas florestas do Brasil. Nos seus debates, os actuais candidatos à presidência dos EUA têm defendido a ideia de internacionalizar as reservas florestais do mundo em troca da dívida. Comecemos usando essa dívida para garantir que cada criança do Mundo tenha possibilidade de COMER e de ir à escola. Internacionalizemos as crianças tratando-as, todas elas, não importando o país onde nasceram, como patrimônio que merece cuidados do mundo inteiro. Ainda mais do que merece a Amazônia. Quando os dirigentes tratarem as crianças pobres do mundo como um patrimônio da Humanidade, eles não deixarão que elas trabalhem quando deveriam estudar, que morram quando deveriam viver.
Como humanista, aceito defender a internacionalização do mundo. Mas, enquanto o mundo me tratar como brasileiro, lutarei para que a Amazônia seja nossa. Só nossa!
UMA

PARA TODAS NOZ
P.S: Tia roubei-te a foto e não pago direitos de autor ;-)
O meu blogue está em convalescença: com faringite, ou laringite, ou lá o que isto é.
Eu estou mais entediada que o meu cão.