fevereiro 19, 2004

Primeiro Concurso de Literatura para Blogs

A quem interessar:

Chamo a atenção para o 1º Concurso de Literatura para Blogs.

Posted by Filipa at 12:16 PM | Comments (5)

fevereiro 16, 2004

2958 Fotografias

Aqui fica a fotografia que ainda não tinha visto. Espero ver as restantes 2957 online... :-)

Posted by Filipa at 03:03 PM | Comments (2)

Alter Ego

O J. serviu-nos de elo de ligação. A mim e ao C., claro. É o grande amigo do C. mas é comigo que é parecido: é altivo e embirrento, teimoso e despropositado. Mas é sensível, muito mais que o C., é claro.
O J., como teimoso que é, tem sempre razão. Ou pelo menos, assim o pensa. Nunca tem dúvidas e raramente se engana, como o outro. Ou como eu. E o C., pacientemente, lá se resigna a ter a versão feminina em casa e a versão masculina para quando pretende abstrair-se da feminina.
O J. disse-me uma vez que só me faltava coçar os ditos para ser homem. Era um elogio, embora não pareça. Ele e a sua sensibilidade extrema, sempre a confundir-me. Eu acho que só lhe falta ter TPM para ser mulher. E isto é um elogio, claro.
Como só uma mulher entende, a primeira coisa que faz quando me encontra é arrancar-me um sorriso dos lábios. Diz-me, sussurrando ao ouvido, como se fosse uma verdade absoluta e confidencial, que estou mais magra. É mentira, mas isso não interessa. É bom ouvir e ainda por cima do meu eu masculino.
Com excepção desses breves momentos, o J. é bruto a falar. Como eu. Por vezes anda perdido nas suas divagações de adulto a separar-se da juventude e fica impossível. Mas eu desculpo, também eu devo assim ficar quando chegar à idade dele. ;-)
Agora anda mais calmo. A redescoberta do amor tem poderes fabulosos.
Há muito que não discutimos quais as capas de albúns perdidos nos anos. Há muito que não discutimos, fervorosamente, a fonética da palavra media dada a sua raiz etimológica enquanto o C. se afasta para não assistir ao alter ego da namorada discutir com o alter ego do melhor amigo.
E no meio das nossas imensas semelhanças, há uma que nos une verdadeiramente. No nossos momentos de serenidade ouvimos, com atenção, o que o C. nos diz. Mesmo quando o que ele tem para nos dizer nos parece absurdo. Mesmo quando ele nos diz para fazermos alguma coisa que não pareça ter muita lógica. Mesmo quando ele disse a um J., chateado com a humidade que se colava ao vidro do seu carro, que o melhor a fazer, para que este não se embaciasse, seria passar batata pelo vidro.
E a verdade é que o Sr.-que-tem-sempre-razão assim o fez. Passou batata crua, com todo o seu esplenderoso amido, nos vidros do seu carro e ansiou para que a humidade não mais o incomodasse. O C. tinha razão: com a sujidade da batata, a humidade não voltou a incomodar o J. Tinha um problema muito maior para resolver: como limpar a batata do vidro.

Posted by Filipa at 12:58 PM | Comments (2)

fevereiro 13, 2004

Pombinho

O tempo é pouco para escrever, a vontade é muita. Por isso resolvi aqui vir, num instantinho, só para deixar perdurar uma memória que, de repente, me encontrou.
Há alguns anos atrás, não vou dizer muitos pois parece mal, dentro de um renault cinco, dei uma das gargalhadas mais efusivas da minha vida.
Iamos as três não sei muito bem para onde, eu, a A. e a D.. E, na rebelia da idade, andávamos mesmo amarguradas com os comentários bacocos que os homens nos lançavam.
Resolvemos, eu e a A., abrir os vidros da frente e gritar, bem ao jeito bardajão do português, para os homens que passavam: "OH Pombinho!".
Os pombinhos olhavam, estupefactos, e a D., na parte de trás, ia ficando com o rosto vermelho colado ao banco. Eu e a A. riamo-nos, de satisfação, de vingança. E gritavamos: - Vá lá, D., solta o teu lado de macho lusitâno.
A D. ia lutando contra a sua timidez. E de repente, em pleno Martim Moniz, a D. revelou-se. Abriu, ainda a medo, o vidro traseiro, e olhando para um macho isolado, gritou, com toda a sua fúria de adolescente despeitada vezes e vezes sem conta nas ruas de Lisboa: OH POMBINHO!!!
O Pombinho não olhou, simplesmente oscilou em jeito mecânico. Era um boneco insuflável que assinalava as obras que por ali se faziam. E a D. nunca mais chamou pombinho a ninguém...

Posted by Filipa at 03:42 PM | Comments (4)
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