dezembro 31, 2003

Ano novo, vida nova

Em 2004 não vou esperar que a minha pele pareça xisto para pôr creme hidratante na cara. Vou aplicá-lo diariamente, de manhã e à noite.
Não vou esperar ter uma montanha de meias pretas desemparelhadas para as arrumar. Vou dobrá-las mal estejam secas e sem me queixar.
Não vou comer a farinheira toda de uma vez mal me sirva de cozido. Vou comê-la, calmamente e como uma adulta que sou, ao longo da refeição.
Não vou esperar ter maços de tabaco vazios em cima de todas as superfícies planas possíveis para os mandar para o lixo. Ou melhor, vou mesmo acabar com os maços de tabaco: vou deixar de fumar. E vou à junta de freguesia reclamar porque não tenho um Ponto Verde aqui na rua.
Não vou dormir mais cinco minutos, sempre mais cinco minutos. Vou levantar-me à hora que devo, com bom humor e nunca mais me vou atrasar, nem cinco minutos.
Não vou estoirar dinheiro levianamente. Vou colocar de lado, mensalmente, determinado valor a estipular. E contribuir, mais avultadamente, para a minha Conta Poupança Habitação.
Não vou comer chocolate compulsivamente. E já agora, não vou faltar, uma só vez, ao ginásio.
Vou secar o cabelo mais vezes com o secador. De forma a que este fique liso e não este mar revolto.
Vou escolher peças de roupa simples e facilmente conjugáveis. E não aquelas que me parecem ser absolutamente vitais na loja e que só as visto uma vez por ano depois de olhar bem para elas em casa.
Vou correr com o Sebastião todos os fins-de-semana. Correr mesmo, e não andar a passo lento como tenho feito.
Vou instituir um jantar de mulheres mensal de forma a exorcizar os meus demónios de Jovem Estudante Trabalhadora que tem casa para cuidar, cão para passear e namorado para mimar.
Vou reparar nas datas de validade dos iogurtes antes de os comprar.
Não vou deixar restos de comida a apodrecer no frigorífico enquanto vou almoçar fora.
Vou usar a minha agenda como agenda e não como diário. E vou olhar para ela diariamente para não me esquecer das consultas agendadas e dos aniversários importantes.
Vou lavar os dentes todas as noites, mesmo naquelas madrugadas em que só me apetece dormir vestida.
Vou mudar de emprego.
Vou deixar de ser crítica e dar uma oportunidade à Margarida Rebelo Pinto. (isto agora foi só para descontrair)
Vou regar as minhas plantas semanalmente. Ou então comprar cactos.
Vou pôr roupa a lavar sem esperar pelo dia em que tenho de vestir aquelas cuecas com o elástico estragado por serem as únicas lavadas. Aliás, vou mandar essas cuecas fora. E a colecção de soutiens com um só ferrinho também... Por falar em cuecas...Falta-me comprar uns boxers azuis para o C. Tenho de ir! Umas boas entradas para todos!


Posted by Filipa at 10:16 AM | Comments (7)

dezembro 30, 2003

Festa ou agonia?

Não gosto especialmente de festas de passagem de ano. As expectativas são grandes, os pedidos enormes e parece que é obrigatório estar radiante apesar de nos recordarmos que nenhuma das passas engolidas a custo no ano anterior teve o efeito pretendido.
Não me consigo recordar de uma só festa de passagem de ano em que me tenha divertido mais do que uma qualquer outra noite entre copos e amigos.
Nem naquela em que imitei, com coreografia e letra adaptada ao português, as Spice Girls, ou melhor, as Chavalas Picantes.
Nem a outra, ainda anterior, em que aprendi a jogar ao Dicionário e que vi, pela primeira vez, o Delicatessen numa qualquer garagem de uma amiga, tão amiga que já nem me recordo com precisão da sua cara.
Muito menos naquela em que fiquei sóbria, sozinha, a cuidar dos muitos embriagados que regurgitavam pedaços de fruta oxidada pelo pouco tempo que esteve entre a panela de sangria e o chão.
E ainda menos daquela em que, já armada em adulta responsável, resolvi cozinhar numa casa não minha e que, por não ser minha, mantive a posse a noite toda com vontade de berrar que era tão convidada como os restantes convidados que estiveram sentados a noite toda.
E nem naquela que passei em Quarteira, chateada com um anterior namorado porque queria estar com os meus amigos em Albufeira e ele com os dele em Portimão.
Este ano não combinei nada. Vou abrir o sofá cama, os queijos e vinhos alentejanos que recebemos no Natal, comprar uvas para substituir as malogradas passas, puxar o meu édredon, optar por um pijama de flanela e meias grossas, ligar o aquecedor (o chato é ser pobre e não ter lareira!), enroscar-me no C. e rever um grande filme.
Digo rever para não me desiludir. Imagine-se que alugo um DVD ao acaso e as expectativas saem goradas outra vez. Era mais uma passagem de ano a esquecer. E, pensando bem, talvez seja melhor provar o vinho primeiro...

Posted by Filipa at 11:44 PM | Comments (4)

dezembro 29, 2003

Dúvida

Será que as convenções do mundo real são válidas para o virtual? Ou por outras palavras, deverei tirar a árvore de Natal do meu blogue já, no dia de Reis ou em Março, como é habitual?

Posted by Filipa at 12:25 AM | Comments (5)

dezembro 28, 2003

Interregno

Aproveitei o pouco tempo que me sobrou das compras de Natal e dos inúmeros jantares que todos temos nesta época para deixar o meu blogue descansar.
Para não me fartar dele. Para não me fartar de mim. Para não me fartar de escrever. Para não tornar isto uma obrigação. Para que o possa fazer sempre por, e só por, prazer.
Descobri que tinha saudades. Que bom... :-)

Posted by Filipa at 11:58 PM | Comments (1)

dezembro 05, 2003

Nós

Tenho andado caladinha. Não me tenho queixado. Mas a verdade é que a existência de um filme com um título homófono ao do meu blogue me irrita. Porque eu cheguei primeiro. E os direitos de autores deviam ser alargados à fonética.
Ao menos que seja bom, o filme é claro!

Posted by Filipa at 12:16 AM | Comments (4)

dezembro 04, 2003

Sem comentários...

Cadeira do Erotic Museum, Paris

Posted by Filipa at 11:00 AM | Comments (1)

Vingança de Sobrinha

Alguns dos meus traumas infantis devem-se, sem qualquer margem de erro, à I.
Em pequena, fez-me pensar que ela já tinha sido cadela noutra encarnação e o não ter ficado gaga com o susto de a ouvir ladrar e senti-la morder-me já foi muito bom. Deriva daí o meu cepticismo.
Resolveu contar-me a história da bolinha de ping-pong amarela. Iniciou-a numa manhã e só a terminou a altas horas da noite. Hoje gabo-lhe a paciência mas, a partir daí, as histórias que os meus pais me contavam para adormecer não podiam ter mais de três minutos. Deriva daí a minha habitual indicação "-Desenvolve!" perante histórias lentas.
Um dia a I. perdeu um brinco. Foi um dos piores dias da minha vida. Não que gostasse especialmente do brinco dela, ainda não me encontrava numa fase tão fútil assim. Não que ela estivesse desconsolada e que o meu papel, como sobrinha dedicada, fosse consolá-la. Simplesmente resolveu utilizar esse pretexto para traumatizar ainda mais uma pobre criança indefesa. Passou o dia a dizer-me que tinha perdido um brinco. Chamava-me e, mal eu olhava ela, perguntava: "-Sabes uma coisa? Perdi um brinco.". Passados momentos, já eu me havia esquecido da história do brinco perdido e brincava alegremente no corrimão das escadas da casa dos meus avós, ela voltava à carga: "-Podes chegar aqui?" e eu, burra, ia para a ouvir dizer: "-É que, não sei se sabes, perdi um brinco!".
A insistência foi tal que ainda me lembro do par do brinco perdido. Era azul turqueza e, ainda hoje, ao entrar no quintal dos meus avós, passo os olhos pelos canteiros à procura do brinco e dos tempos em que a minha tia era uma cadela só com um brinco. ;-)
O tempo passou, eu cresci e a I. amadureceu (que palavra bonita para substituir um verbo feio!). Já eu pensava estar a salvo de novos traumas quando resolvemos viajar juntas. Fomos com o C., na passada primavera, viajar pela Europa de carro aproveitando para matar saudades da A. emigrada lá na França ;-).
A caminho de Paris fizemos uma paragem para os habituais chichis e cafés numa estação de serviço da auto-estrada . A I. foi a primeira a despachar-se e disse-nos que ia andando para tirar fotos.
Quando chegámos ao carro não havia sinais dela. Demos a volta à estação de serviço, primeiro a pé, depois de carro e nada da I. Esperámos, preocupados. Sabiamos lá se um psicopata camionista não a teria levado. E eis senão que, avistámos um pontinho distante ao largo da auto-estrada, andando despreocupadamente. Sim, é isso mesmo: ela disse que ia andando e não era no sentido figurado. Mais um pouco e só a achavamos à porta do Louvre.
Decididamente aposto que a minha tia não tem os sisos. E consegue, sempre, surpreender-me...

Já agora e em resposta ao comentário da I. ao meu último post: a ti, e porque não és o Pai Natal, o meu pedido para prenda de Natal é... uma bolinha de ping-pong amarela.

Posted by Filipa at 10:30 AM | Comments (7)
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