novembro 28, 2003

Querido Pai Natal:

Sei que a economia anda mal e, como tal, as suas finanças já devem ter visto melhores dias. Como tal, e porque o que vale é a intenção e não o bem material em si, este ano vou dispensar oferendas e pedir, simplesmente, que mexa os cordelinhos.
Aqui fica então a minha lista:
- um pedido de desculpas públicas do governo pela desgovernação de uma grande parte dos lares portugueses.
- o fim do processo Casa Pia porque já confundo os seus intervenientes com as personagens da telenovela Mulheres Apaixonadas.
- técnicos mais qualificados nas Câmaras Municipais para que não mais caiam pontes ou se abram buracos nas faixas de rodagem.
- que o Euro 2004 seja um sucesso que dê para cobrir as despesas feitas e para que, com isto, a minha revolta se suavize um pouco nesta terra onde os impostos aumentam, as pessoas ficam desempregadas, os estudantes pagam mais e os clubes de futebol pagam impostos em suaves prestações, quando os pagam é claro, e ainda recebem estádios monumentais como presentinho.
- que a TVI seja obrigada a mudar a sua grelha e que se façam, também, sérios ajustes nas grelhas das demais televisões portuguesas. Que os tempos de intervalo nos programas sejam revistos também.
- uma Europa mais coerente e que Portugal perceba, de uma vez por todas, que o resto da Europa está a oriente e não a ocidente.
- um ataque cardíaco para o Bush (sim, eu sei que não pode, que estou a ser má... mas então, e pelo menos, umas cólicas fortes cada vez que este abra a boca para falar. É para o bem da Humanidade!)
Agradeço-lhe desde já o esforço.
No entanto, se não conseguir o que lhe pedi e se for, para si, mais fácil, pode sempre dar-me um apartamento de 275 mil euros que estão a construir aqui ao lado da minha humilde casinha. Assim já não tenho de pagar por uma assinatura de um arquitecto, conforme o empregado camarário me indicou, no projecto que pretendo entregar na Camâra para que possa abrir um bocadinho de uma parede em minha casa de uma forma legal.

Votos de um bom natal,

Mónica

P.S. - Tenha cuidado este ano. Talvez seja melhor só dar os presentes às crianças com testemunhas ao lado para não se arriscar a passar a meia noite do dia 24 de Dezembro ao lado do Carlos Cús (como o meu sobrinho de quatro anos o chama).

Posted by Filipa at 01:45 PM | Comments (6)

novembro 27, 2003

Os Limites da Sensualidade

A minha amiga A. encontrava-se no apogeu da sua beleza.
A sua beleza valia por si só. Não era daquelas que aparentam existir palo factor psicológico que lhe está inerente. Era, decidida e simplesmente, bonita. A nível físico. Não que não o fosse também a nível de personalidade, mas isso não interessava. Era linda e isso, por si só, bastava para um primeiro impacto.
Para além disso era sociável e divertida. Uma auntêntica relações-públicas. Sempre com um sorriso, lindo e espontâneo, e com olhos cintilantes a acompanharem-no. Sempre com uma piada oportuna pronta a ser dita.
No liceu não era a melhor aluna mas era, com certeza, mais brilhante que o brilhante aluno da turma.
Estava na área de ciências porque o Sting fora para a Amazónia. Esta justificação, dada por outro, pareceria frívola. Dada por ela era plausível e, até, soberba.
Era capa de revistas para adolescentes e não perdia, por isso, a humildade que lhe dava luz. Usava botas cor de rosa e não parecia a Barbie. Falava de astrologia com uma fogosidade que acreditavamos que os astros a acompanhavam para todo o sítio. Tudo para ela era simples e não valia complicar a vida para não se perder no labirinto desta.
A vida sorria-lhe e a A. sorria à vida.
Namorados tinha os que queria mas não queria muitos. Teve alguns durante os anos embrionários da sua beleza e quando desabrochou deixou de querer ter.
Resolveu começar a trabalhar num bar aos fins de semana. E lá foi ela, com toda a simpatia, servir shot´s e animar o pessoal. Conheceu o J. Era o seu colega de bar. O J. era lindo mas consciente disso. A A. achou-lhe piada. E, ignorante da sua própria beleza, determinado dia, resolveu armar-se em sensual. Olhou para ele, com os olhos semi-cerrados e um sorriso esbatido, como vira fazer nos filmes. O J. perguntou-lhe: -"Estás a olhar para mim com esse olhar de parva porquê?"

Conclusão: A beleza existe por si só e qualquer mecanismo para a ressaltar é inútil. E a A. nunca mais se vai esquecer disso. ;-)

Posted by Filipa at 12:49 PM | Comments (9)

novembro 24, 2003

Liberdades

Somos educados, geralmente, com base em certos valores.
Penso que todos eles podem ser aglutinados formando apenas um, a Liberdade. Já deixei, há muito, de tentar seguir a conduta induzida. Não tenho feitio para amar o próximo, só porque assim o deve ser. Simplesmente assumo, como verdade axiomática, que o próximo tem a mesma liberdade que eu e isso chega.
Desta forma, fico doente quando oiço as pessoas falar violando este único valor que institui para mim.
E quando digo doente não é no sentido figurativo. Fico mesmo: o meu coração acelera, a minha temperatura sobe, a minha audição deixa de funcionar e as minhas cordais vocais atingem vibrações nunca antes sentidas. E com isto, crio um problema grave. Acabo, também eu, por violar o valor que me rege: deixo de dar liberdade ao meu interlocutor para que se possa expressar.
Estas minhas doenças súbitas existem desde sempre. Já fui chamada de radical a fundamentalista. A verdade é que, embora fosse uma faceta minha que por vezes me incomodava, nunca pensei muito sobre ela. Mas agora estou assustada. E passo a explicar porquê.
Vi um bocado de um filme, na semana passada, em que um grupo de amigos matava, para assim limpar o mundo, quem fosse castrador de liberdades: um padre contra os gays, um pedófilo, uma senhora do movimento pela vida, um machista e por aí fora. Enquanto a mortandade continuava, determinada polícia começou a investigar. E dei por mim, olhando para a televisão, completamente imersa da realidade do filme e achando que o que eles estavam a fazer era desculpável face às vidas abjectas a que punham fim. Desliguei a televisão antes do filme acabar. Como castigo por ser influenciável por uma realidade feita de propósito para esse fim. Mas fiquei preocupada.
Ainda na semana passada, fui assistir a uma defesa de tese de doutoramento. O nome da dissertação era “A Fundação de uma Metafísica do Eu em Régio.” e a defesa estava a correr muito bem até um dos professores de fatiota ridícula chamar prepotente ao futuro doutor pela escolha do título. O futuro doutor saiu-se bem. Respondeu que talvez fosse prepotência da parte dele escolher a palavra fundação para o título mas era o que tinha tentado fazer. Se fosse eu que ali estivesse a defender a minha tese, nervosa por ali estar, o adjectivo prepotente iria ser mais um para a lista já com entradas como fundamentalista. Porque iria ser, aí sim, prepotente e perguntar-lhe-ia o porquê de me chamar prepotente se o que tinha feito era, efectivamente, fundado uma Metafísica do Eu. Iria correr, com toda a certeza, mal. Muito mal.
Resumindo: posso deixar de ver filmes estúpidos e não fazer doutoramento ou tentar deixar de ser radical e prepotente porque é isso que sou. Não acredito que escrevi isto! :-)

Posted by Filipa at 03:59 PM | Comments (10)

novembro 13, 2003

Proibição de Pescas

A Comissão Europeia vai propor a 17 de Dezembro, na reunião dos ministros das Pescas, a proibição em 2004 da captura da pescada, do lagostim e do tamboril, medida que irá constituir um sério revés para os pescadores portugueses.

in Público

Podiam era liberalizar a pesca de cherne para ver se se extinguia mais depressa.

Posted by Filipa at 02:16 PM | Comments (6)

novembro 12, 2003

Incoerência Parental

Nunca tive uma Barbie. Era simbolo de consumismo, com as suas roupinhas todas a condizer, e de anorexia, com as suas formas desproporcionais.
Nunca me mascarei de princesa. Ano após ano, mascarava-me de hippie. E quando me perguntavam de que estava mascarada respondia, timidamente, de hippie. Os meus incultos coleguinhas da primária olhavam para mim com desdém e partiam para brincarem com as suas espadas e pistolas, coroas e varinhas. E ali ficava eu, com o meu colar de contas de madeira, com a minha saia às flores e com os óculos que agora se voltaram a usar, desfasada dos tristes anos oitenta em que fui criança.
Um ano, na altura do Roque Santeiro, pedi para ir mascarada à Porcina que, pelo menos, era de fácil reconhecimento por parte dos meus amigos. Não me deixaram, a Porcina pintava os lábios e tinha uma conotação sexual nada apropriada à minha tenra idade. E lá fui eu de hippie outra vez.
Uns anos mais tarde resolvi andar mascarada diariamente. Certo dia, à saida de casa para uma almoço familiar de domingo, perguntaram-me que raio de revivalismo serôdio era aquele. Eu, as minhas calças de 200 escudos compradas na feira da ladra e o meu lenço de fabrico próprio ficámos ofendidos.
Os meus pais queriam que andasse com roupa de cores vivas, apropriada à década em que estávamos. Tipo...barbie!!!
Não será isto uma incoerência parental?

Posted by Filipa at 01:16 PM | Comments (6)

(de)terminação

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.


Ricardo Reis, 14-2-1933

Posted by Filipa at 01:00 AM | Comments (2)

novembro 11, 2003

Mais uma do meu pai...

Vivíamos numa vivenda geminada numa pacata zona de Lisboa. Ao lado morava a minha amiga D. que tinha um pastor alemão chamado Black.
Encontrava-me, bem com a D., naquela idade parva dos 6 anos, em que falamos muito com uma vozinha irritante e aguda intervalada de risinhos histéricos.
Certo dia brincávamos no meu quintal. O meu pai encontrava-se à porta de casa a conversar com o sr. Caneira, suposto comprador da nossa casa que tentávamos vender.
Eu e a D., bem junto aos dois, riamo-nos muito e fazíamos uma barulheira infernal. Do outro lado do muro, o Black, irritado por não estarmos perto dele, ladrava furiosamente de forma a cativar a nossa atenção.
O meu pai, tentando abstrair-se da confusão reinante, continuava o seu diálogo.
Eu e a D. continuavamos a guinchar, histéricas.
O Black continuava com os seus latidos sentidos.
O sr. Caneira colocava questões. Eu e a D. riamo-nos. O Black rugia, ensurdecedor. O meu pai respondia.
A D. gritava. O sr. Caneira falava. O meu pai olhava ora para nós, ora para o Black, com o seu ar desaprovador. O Black raspava-se no muro e agonizava. Eu cantava. O meu pai tentava, em vão, concentrar-se. O sr. Caneira continuava o seu complicado monólogo. A D. ria-se. O Black ladrava. O meu pai virando-se, em fúria, para o Black gritou estranhamente:
- Cala-te Caneira!
O Caneira calou-se, eu e a D. rimo-nos, o Black continuou a sua investida desesperada e o meu pai quis, com toda a certeza, um buraco para se esconder.

Fim da história: o sr. Caneira comprou a casa, a pronto. Eu e a D. deixámos de ser vizinhas. O Black continuou a ladrar, pela minha partida. E a carreira de vendedor imobiliário do meu pai terminou nesse mesmo dia.

Posted by Filipa at 11:40 PM | Comments (6)

Velázquez


Fui hoje assistir a uma conferência denominada Velázquez e Portugal: Caminhos do Barroco Ibérico no Instituto Cervantes.

Embora não simpatize por aí além com o pintor tenho de admitir que era de um realismo impressionante. Aqui fica um exemplo:


Velha fritando ovos 1618

Posted by Filipa at 12:34 AM | Comments (2)

novembro 08, 2003

Discussão sobre chão

Resolvemos fazer obras em casa. Embarquei hoje, com o meu unido de facto e com os meus pais, em mais uma expedição por lojas da área para vermos materiais para o efeito e respectivos preços.
A tensão pré-obras já se apoderou de mim e iniciei uma batalha com o C. em plena loja de mosaicos para o chão: o C. queria um tipo de mosaico escuro e com reentrâncias. Eu quero claro e liso porque o nosso cão (Sebastião)

tem pêlo claro que cai desesperadamente e que contrasta fortemente com um pavimento escuro. Além disso, temos de lavar diariamente o chão pelo que reentrâncias não são bem vindas, só se for para formarmos poças dentro de casa.
O meu pai resolveu a questão: indicou-nos, como melhor opção de compra, a pedra sabão. Basta juntar água para lavar e até pode ajudar no hálito do Sebastião quando este resolver lamber restos de comida que cairem ao chão.

Posted by Filipa at 11:49 PM | Comments (6)

novembro 07, 2003

Para ti...

...que a trouxeste juntamente contigo e que está lá fora a preparar-se para desabrochar.

Posted by Filipa at 01:20 PM | Comments (2)

História?

As nações são todas maníaco-depressivas, ora têm a mania das grandezas ora se deixam arrastar por uma depressão. Vejamos:
A Alemanha atinge o auge da sua mania com o nazismo. Deixa-se afundar em melancolia após a 2ª Grande Guerra.
Os EUA apoderam-se do juizado do mundo com a sua intervenção decisiva nessa mesma 2ª Guerra Mundial. Deixam-se porém abater quando levam uma rebocada do Vietmane.
Portugal encontra o seu apogeu com os Descobrimentos entrando, de seguida, na época depressiva do Sebastianismo. Não, vou ser mais actual: Portugal fica com a mania das grandezas ao aderir à UE. Agora que os fundos daí provenientes estão a acabar ficamos com uma depressão saudosista e financeira.
Pergunto-me eu: se todas as nações têm estas alternâncias dignas de estudo psiquiátrico porque chamamos história à história e não histeria?

Posted by Filipa at 12:29 PM | Comments (2)

Uma questão de cultura(s)

Determinado professor universitário espanhol, antropólogo muito conceituado na sua área decide, a dada altura, ficar de licença sabática um ano para estudar os costumes de determinada tribo africana.
Todo contente lá embarca nesta expedição. Consistia em viver integrado na tribo, aprender a língua e apreender a cultura.
Ao fim de um tempo, já integrado na tribo, acontece um episódio curioso.
Um dos pastores regressa à aldeia, após ter saído de manhã para o pasto, muito atrapalhado por ter perdido uma vaca.
O antropólogo, todo amável, resolve tomar conta da situação e coloca uma série de questões ao pastor, seguindo uma linha de raciocínio notoriamente ocidental: onde estavas quando viste a vaca a última vez?; onde estavas quando reparaste que a vaca já não te acompanhava? e quanto tempo passou?
Mediante as respostas do pastor, o antropólogo chegou à conclusão que a vaca não poderia andar longe e que o mais provável seria que se tivesse afastado para ir até ao riacho.
Enquanto organizava grupos de procura, o feiticeiro da tribo aproxima-se. Tira as sementes da bolsa, joga-as ao ar e estas caiem formando uma seta de sentido contrário ao do riacho.
Mais nenhum homem ligou aos palpites do antropólogo e foram, depressa, buscar a vaca conforme as indicações do feiticeiro. E acharam-na.
O antropólogo não percebeu. Não obstante, e como bom antropólogo que era, resolveu embrenhar-se ainda mais na forma de viver da tribo. Tendo em conta que a tribo era poligâmica e um homem tem as suas necessidades juntou o útil ao agradável.
Resolveu casar-se. Não com uma, mas sim com duas virgens desejosas de casar com o branco importante (a curiosidade feminina é intrínseca, independe do local do globo em que a mulher esteja!).
A cerimónia decorreu à hora do sol alto como era habitual e foi presidida pelo feiticeiro. As duas noivas, todas aperaltadas, perfumaram-se com o melhor perfume local, não coco chanel mas sim xixi de vaca.
Finda a cerimónia, o antropólogo teria de provar os seus dotes reprodutores. Deveria, então, entrar para o seu novo lar com as suas duas esposas e possui-las.
Não sei se estão bem a ver: meio-dia em África, o sol no seu ponto mais alto, uma palhota de 2 metros quadrados, duas esposas ofegantes e perfumadas com urina de vaca. Pois é! O antropólogo não resistiu e sucumbiu, não aos encantos das virgens, mas ao desmaio eminente.

Moral da História: Nenhum antropólogo, por mais estudioso que seja, está preparado para pesquisa in loco sem boas condições de higiene.

Questão que coloco agora a mim própria: Será que o feiticeiro, habituado ao cheiro de noivas perfumadas, descobriu onde estava a vaca por ter um olfacto apurado?

Posted by Filipa at 11:05 AM | Comments (1)

novembro 06, 2003

A Subjectividade do Absurdo

Changeux com "O Homem Neuronal" tenta provar que não existe espírito, que tudo é metabolismo.
Chamaria a isto prepotência científica se, ao fazê-lo, não caisse também eu numa forma de prepotência ainda pior, sem fundamento.
No entanto, acho-o absolutamente absurdo.
Tertuliano afirmou Credo Quia Absurdum (creio porque é absurdo). Será que este, homem de fé, acreditaria na pretensa revelação de Changeux (exactamente por ser também ela absurda) ou esta sua afirmação serviria somente para reforçar o dogma?

Posted by Filipa at 12:18 AM | Comments (1)

novembro 05, 2003

Irónico


Estava a ver os "novos" blogs e achei um que me fez sorrir...
Chama-se O meu Popó e tem uma entrada engraçada: O meu popó faz piiiii piiiii.
A ironia é boa mas o assunto torna-se escasso. Terá ele/a desistido por isso?

Posted by Filipa at 11:31 PM | Comments (0)

Intervalo

"A Vida é um intervalo."
Confúcio

Acho que Confúcio estava meio confuso. Ou será que a palavra confuso só surgiu depois do confuso Confúcio?

Um matemático ficaria, certamente, ainda mais confuso que o próprio Confúcio e, para averiguar, perguntar-lhe-ia se o intervalo era aberto ou fechado.

Eu passava a vida a fumar.

Posted by Filipa at 11:01 PM | Comments (2)

nús e para sempre

“Nunca se ama como nas histórias: nús e para sempre.
Amar é lutar constantemente contra milhares de forças
escondidas que vêm de nós ou do mundo.
Contra outros homens. Contra outras mulheres.”


Jean Anouilh, dramaturga francesa

É verdade mas não custa ser um bocadinho mais optimista... :-)

Posted by Filipa at 01:25 PM | Comments (2)
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